quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Colou em mim

Tento não pensar, não lembrar
Mas você é uma cisma em mim
Quando me dou conta, sua imagem já está refletida no espelho da minha mente
Faço que não ligo, que não vejo
Mas... ela permanece, me sorri, me provoca, zomba da minha indiferença
Tanto faz se me dou conta ou não
Você mora ali, em algum lugar escondido, de mim mesma
Por horas e dias as vezes me esqueço...
Mas de repente, você se apresenta vivo e faceiro
Tão verdadeiro, que me assombra!
Tento entender o porque, reservei para você um lugar tão privilegiado na memória
Mas que importa?!
Você está aqui,
Vive em mim
Já não conta mais a distância e o tempo
Apenas esta imagem que preenche
Talvez uma necessidade, uma vontade, um desejo
Talvez até quem sabe um amor, uma paixão, um segredo...

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Verbos

Adoçar, esperar, agir
Olhar, deixar passar, pedir
Sentir, chorar, rir ser feliz
Pegar, abraçar, beijar, amar
Voltar, desculpar, começar...
Dormir, esquecer, perder o medo
Sonhar, criar, realizar todos os sonhos
Estar, ficar, poder saber...
Escolher...
A vida
As alegrias
Os gestos
As dádivas
Os doces
As pessoas
As situações
Os desejos
Permitir sempre.

domingo, 12 de setembro de 2010

O seu existir

O seu existir me faz feliz
Saber-te bem, me traz alegrias
O sentimento que tu me despertas...
Ultrapassa as fronteiras do tempo e do espaço
E o medo brinca, como criança esquecido de si mesmo
Há somente risos e doces lembranças
Carinhos soltos em palavras e ações
O seu existir provoca no meu ser...
Minhas melhores virtudes
E serena meus muitos defeitos
Você me inspira...
Torna minha aura brilhante
Minhas ações construtivas
Meu desejo radiante
Seu existir me mantém alerta, desperta, pronta
Dignifica minha existência, permanência, constância
Você enquanto parte de mim, oposto de mim
Me completa, satisfaz, realiza.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Confidências

Foi assim sem pedir
Me chegou aos ouvidos sem aviso
Um sinal de perigo
Fiz que não ouvi
Mas as palavras estão aqui
Divertem-se com minha minha aflição
Zombam da minha decisão
Vou ficando assim...
Meio orfã de mim
O desejo me aponta uma direção
A razão um desvio
Estou sentado na ponte, esperando...
Talvez me decida logo
Ou não.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Internet

Ai que medo do teclado!
Puxa meu dedo de lado
Salta letrinhas na telinha
E conta estórias como quem conta verdades
Pula de lá para cá juntando sílabas
Num bailado cadenciado
Tônicas, ditongos, oxítonas, paroxítonas...
Nem se importa com essa tal regra gramatical
Que sintaxe que nada, samba pelada
Entre vírgulas e pontos
Se agarra a exclamação, zomba da interrogação
Só que quer saber de dizer
O que vai nas entrelinhas do saber
Que emociona quando escorre livre nas linhas imaginárias
Das páginas brancas, das telas magnetizadas
Minha nossa quanta loucura...
Desenhando nas mentes desprevenidas
Palavras distorcidas da nova realidade
Virtual, cibernética, atual.