quinta-feira, 1 de julho de 2010

Confidências

Foi assim sem pedir
Me chegou aos ouvidos sem aviso
Um sinal de perigo
Fiz que não ouvi
Mas as palavras estão aqui
Divertem-se com minha minha aflição
Zombam da minha decisão
Vou ficando assim...
Meio orfã de mim
O desejo me aponta uma direção
A razão um desvio
Estou sentado na ponte, esperando...
Talvez me decida logo
Ou não.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Internet

Ai que medo do teclado!
Puxa meu dedo de lado
Salta letrinhas na telinha
E conta estórias como quem conta verdades
Pula de lá para cá juntando sílabas
Num bailado cadenciado
Tônicas, ditongos, oxítonas, paroxítonas...
Nem se importa com essa tal regra gramatical
Que sintaxe que nada, samba pelada
Entre vírgulas e pontos
Se agarra a exclamação, zomba da interrogação
Só que quer saber de dizer
O que vai nas entrelinhas do saber
Que emociona quando escorre livre nas linhas imaginárias
Das páginas brancas, das telas magnetizadas
Minha nossa quanta loucura...
Desenhando nas mentes desprevenidas
Palavras distorcidas da nova realidade
Virtual, cibernética, atual.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Ouvir

Ouvir,
Não só o som da sua voz, mas o significado de cada palavra
Ouvir,
Cada emoção, cada sentimento,
Ouvir,
Todo seu coração e seu corpo e sua vontade
Ouvir,
Cada lágrima derramada, cada suspiro contido, cada gesto guardado
Ouvir,
O sopro da sua respiração e até mesmo o que não foi dito
Ouvir,
Seus pensamentos e desejos
Aquela parte de você, que nem você sabe que existe
Ouvir,
Segredos da sua alma, cores do seu armário...
Ouvir,
Seus passos pelo caminho, seu riso atrás da porta
Seus gritos, seus pedidos, sua vida.
Ouvir com meus ouvidos, com meu coração e com minha alma abertos, prontos para você.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Bailarina

A poesia é uma bailarina caprichosa, que rodopia no colo do vento...
Graciosa e leve, desenha palavras com seu tutu
Saltitante e desprendida, vai em sua dança formosa
Despertar silenciosa, emoções, risos, alegrias, dores e saudades
A poesia é uma criança feliz, que mesmo quando triste...
Ri achando graça!
Ri em versos, em prosa, em sonetos
Ri de si mesma e ainda faz troça do seu rosto sombrio
A poesia é mulher apaixonada, larga tudo pelo amado
Faz até o que Deus dúvida
Vive cada segundo como se fosse o último e morre se necessário
A poesia é homem cismado,
De ciúme, de medo, de cansaço
Dobra-se melancólica, adormece triste
Acorda entusiasmada...
E descobre na dança, nas letras, na tinta
A vida em si mesma encanada.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

A dor é de quem?

Meus olhos acusam lágrimas não derramadas
Meu coração uma dor camuflada
Minha alma um pesar...
Minha mente está perdida em devaneios
Meu espírito tenta acalmar a tempestade, que de repente me invade
Um misto de amor e raiva
De desprezo e dúvida
De ímpeto e espera
A tristeza é transparente
O ser humano se perde
No âmago da reflexão
Solto no vácuo de temores ancestrais
Crise dos 40, do tempo que passa sem aviso
De oportunidades desprezadas
De gestos pouco valorizados
De viver amores condicionados
Raiva de não poder ser apenas
Sem máscara, sem títulos, sem posses
Apenas ser.
Difícil arte de viver em sociedade
Sem magoar, faltar ou comprometer
A felicidade alheia, a esperança e o sonho de quem não nos vê.
Isto é um misto de dor e medo
Um que de desolação
Uma estrada esburacada que vai nos levar para longe do nosso destino
Um vazio cheio de motivos
Um motivo sem razão
Tantas palavras mesquinhas em meio a emoções explosivas
Quinquilharias num porão abandonado...
Num coração roubado
Num infinito mundo, com fim.